quinta-feira, 17 de junho de 2010

para a dona Felicidade, que merecia algo melhor.

Ela tinha perdido sua mãe, sua amiga, parte dela, parte da sua vida.
E te escreveu assim, Felicidade: Porque? Nós todos os dias nos deparamos com uma realidade apavorante - apavorante é pouco, muito pouco - Pessoas morrendo de fome, políticos corruptos, assassinatos a sangue frio, terroristas que acabam com a própria vida e a de milhares outras em nome de deuses, pessoas matando as suas famílias por causa de dinheiro. E muito mais. São tantos acontecimentos, cada um pior do que o outro - que não teria espaço suficiente para dita-los aqui... Ela sofreu um acidente de carro, estava nevando, eu sentia meu sangue pulsar fervendo nas veias. E quando soube, eu tentei me matar também. Não me permitiram.
Ela me fez pensar que se não existe mais, eu não existo também. Me fez pensar que estaríamos juntas para sempre. Ela mentiu.
Respiração profunda, cheiro de um coração. Despedaçado.
Eu estou tão.. assim, que até pra dizer um oi estou trocando as letras.
Eu me pergunto, porque? Será que tu és tão difícil de se... achar? Porque quando a gente pensa que as coisas estão difíceis, frágeis, só piora! Ela se foi, eu não tenho mais ninguém. Estou sozinha no mundo - tenho meu pai, mas, ele trabalha viajando - e pela manhã, uma assistente social virá aqui, virá me buscar. Irei morar com a minha avó (para ser mais precisa, paterna). Já faz anos que eu não a vejo. E acho que é isso. Será que pode vir-me visitar, senhora Felicidade? Pode tocar-me? Pode me fazer ficar contente? Pode fazer-me sorrir? Nem que seja por pelo menos, segundos. Pode fazer com que eu a veja? Eu não consigo ver-me feliz sem ela. Sinto falta do meu anjo. Meu. Meu anjo.

Ajude-me. Eu imploro. Suplico.

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